Meio Ambiente

Segunda-feira, 3, 07 at 10:56 am Deixe um comentário

Cientistas acusam governos de abrandar relatório sobre clima

Cientistas e representantes de governos do mundo todo entraram em choque na sexta-feira (6), durante debate sobre o clima da Organização das Nações Unidas (ONU), desentendendo-se quanto à dimensão do impacto do aquecimento global sobre plantas e animais e quanto à participação humana na elevação das temperaturas.

Mais de cem países reunidos no painel elaboraram, depois de negociações que se estenderam noite a dentro, um texto final criticado por pesquisadores, que acusaram os delegados de ignorar a ciência e de abrandar uma versão sumária do relatório a ser encaminhada a dirigentes do mundo todo.
Ambientalistas dizem que os políticos tentaram tornar o relatório menos contundente a fim de evitar a obrigação de adotar medidas duras no combate aos gases do efeito estufa. China, Rússia e Arábia Saudita seriam os principais responsáveis pelo abrandamento, disseram delegados.

“Parece que interesses claramente dissimulados estão tentando impedir que certas mensagens sejam divulgadas”, disse Neil Adger, do Centro Tyndall para Pesquisas sobre Mudanças Climáticas, da Grã-Bretanha.

“Estamos fazendo o melhor que podemos para prover a melhor avaliação científica existente, mas, quando a forma como isso é apresentado muda, ficamos muito contrariados. Trata-se de um trabalho de três anos.”

Seguindo Adger, os delegados também tentaram abrandar a parte do texto que relaciona a emissão de gases do efeito estufa resultantes de atividades humanas com o impacto do aquecimento global. O Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) reúne 2.500 cientistas e é a maior autoridade mundial no assunto.

Cynthia Rosenzweig, do Instituto Goddard para Estudos Espaciais, da Nasa (agência espacial dos EUA), apresentou uma carta de protesto ao presidente do IPCC depois de os delegados chineses terem insistido sobre a necessidade de eliminar a expressão “alto grau de confiança” a respeito de as mudanças climáticas já estarem afetando os sistemas naturais de todos os continentes e de alguns oceanos.

“Eu me manifestei para dizer que os autores (do texto original) estavam convencidos sobre a exatidão da expressão ‘alto grau de confiança”‘, afirmou Rosenzweig. “Eu protestei porque, na minha opinião, a ciência estava sendo colocada de lado.”

A pesquisadora deixou o encontro depois de ter feito a reclamação, mas explicou que precisava descansar e que não havia abandonado a reunião.
Os delegados acabaram resolvendo retirar todas as referências à palavra ‘confiança’.

Esse trecho do texto ficou assim: “Dados obtidos mediante a observação de todos os continentes e da maioria dos oceanos mostram que muitos sistemas naturais estão sendo afetados pelas mudanças climáticas regionais, em especial pela elevação das temperaturas”. Martin Parry, co-presidente do grupo responsável por preparar o relatório, negou que o documento tenha perdido força como um todo.

“Não acredito que seria correto dizer que o documento foi abrandado. Certas mensagens realmente se perderam, mas não acho que a mensagem tenha se perdido”, afirmou. “Quando se realizam grandes encontros, é preciso baixar a poeira até um ponto comum.” Mas, apesar de Rosenzweig ter dito que estava satisfeita com a versão final do texto, muitos cientistas sentiram que o texto não ficou tão contundente quanto o relatório mais detalhado que estão preparando.

“Há alguma frustração residual entre os cientistas. Não há nenhuma dúvida a esse respeito”, afirmou Kevin Hennessy, pesquisador do Grupo de Impacto Climático, da Austrália, e outro dos principais autores do relatório.
“Mas vamos incentivar as pessoas a se aprofundarem nas informações mais detalhadas do sumário técnico e nos capítulos individuais.”
***
CPI do Desmatamento da Amazônia pode sair em 2008
Os deputados oposicionistas que integram a CPI do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara decidiram retomar a mobilização para a criação da CPI do Desmatamento da Amazônia, quando voltarem do recesso parlamentar, em fevereiro do ano que vem. Como o ano legislativo termina em menos de um mês, a intenção dos deputados é trazer o tema de volta à discussão no Parlamento e conseguir a promessa dos colegas para, na volta dos trabalhos, garantir o mínimo de 171 assinaturas para instalar a CPI.
“A CPI tem que ser feita no próximo ano. Não é uma CPI contra o presidente Lula, contra a ministra Marina Silva. Mas há vinte anos fazemos uma política contra o desmatamento da Amazônia e não conseguimos menos de 10 mil quilômetros quadrados de área desmatada por ano. A política é ineficaz”, disse hoje o presidente da Comissão de Meio Ambiente, Nilson Pinto (PMDB-PA).
Outro tucano integrante da comissão, Ricardo Trípoli (SP), também defende a abertura da CPI em 2008, para “ajudar a empurrar” as ações contra o desmatamento. Trípoli diz que já existem estudos suficientes sobre a Amazônia, mas que nenhum deles levou a atitudes práticas por parte do poder público.
O deputado defende uma mobilização específica do Ministério Público (MP) e do Judiciário na repressão à ação de madeireiros e, mais recentemente, de agricultores que avançam as unidades de conservação, principalmente para a cultura da soja. Para Trípoli, as Forças Armadas deveriam ser convocadas para agir no controle dos abusos cometidos na floresta.
Desmatamento na Amazônia cresce; derrubada de florestas aumenta em 107% no MT

A umidade que chega ao Centro-Oeste é sinal de que, aos poucos, o tempo começa a mudar na região, já que agora está começando a chover no Centro-Oeste. Um pequeno alívio. Mas chuva boa mesmo, para limpar o ar e acabar de vez com a estiagem, só deve começar em novembro. A seca facilita as queimadas na Região Centro-Oeste. Trata-se de um problema ambiental tão grave quanto o desmatamento. Depois de três anos em queda, o desmatamento na Amazônia voltou a crescer, segundo dados do próprio governo. Em Mato Grosso, a derrubada de florestas aumentou em 107%. Mais árvores foram derrubadas também em Rondônia e no Acre. Para tentar conter esse tipo de crime, o governo promete fazer operações de emergência contra a extração de madeira em Mato Grosso, no Pará e em Rondônia. A seca também tem atingido boa parte do Sudeste nos últimos tempos.

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